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SP: 15 milhões de vidas à venda

Por Antonio Arles para Actantes

Imagine alguém seguindo você na rua por um ano inteiro, anotando cada informação sobre seus passos, seus destinos e seus horários. Pode parecer que não, mas esta pessoa teria um enorme poder sobre você. Com o cruzamento desses dados com os de seus familiares, ela poderia saber onde estudam os seus filhos, onde você trabalha, se você está de férias e até se foi demitido.

Pois bem, estas são as informações coletadas e armazenadas pelo sistema do Bilhete Único de São Paulo. Algumas destas informações poderiam ser acessadas por outras plataformas, mas no caso do Bilhete Único, estão todas disponíveis para quem detiver esta base de dados. Esta concentração de dados sensíveis nas mãos de um só agente, para além da questão da coleta de dados em si, é um problema para a privacidade dos cidadãos.

Estes dados têm valor pois conferem muito poder para quem os detêm. Com eles, alguém pode oferecer propaganda direcionada e até controlar alguns aspectos de sua vida. Imagine estes dados nas mãos de agências de classificação de risco para empréstimos bancários. Se eles forem capazes de saber que você está desempregado, poderão aumentar os juros de um empréstimo de que você precisa neste momento complicado ou até impedir que este crédito seja concedido a você.

A verdade é que não há um controle muito grande sobre o que pode ou não ser feito com estes dados. Agora, imagine se isto cair nas mãos de empresas de outros países. Imagine conceder tanto poder a empresas que podem espalhar estes dados pelo mundo, com os mais variados fins. É um tanto perigoso, não?

A Prefeitura de São Paulo quer vender esta base de dados para estrangeiros. Isto poderia inicialmente trazer um dinheiro para a prefeitura, mas custaria a privacidade dos cidadãos de São Paulo. Será que estamos dispostos a dar tanto poder para quem não está sequer plenamente sujeito às leis brasileiras e poderá fazer o que quiser com nossos dados, decidindo sobre aspectos importantes de nossas vidas?

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