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Professor da Universidade de Michigan é difamado por lutar pela integridade das eleições

Por Jamie Williams para Electronic Frontier Foundation

Imagine se alguém, depois de ler algo que você publicou na internet e não concordar com o que você afirmou, decidisse forjar e-mails racistas e antissemitas em seu nome. Isto parece ser o que aconteceu com J. Alex Halderman, um pesquisador de segurança computacional e professor de ciência da computação da Universidade de Michigan. Halderman é um dos muitos especialistas em segurança de eleições que têm defendido a auditoria dos resultados da eleição presidencial norte-americana de 2016. As recentes tentativas de manchar sua reputação em retaliação à sua luta pela integridade das eleições são uma ameaça à liberdade de expressão on-line.

Halderman publicou um artigo no Medium em novembro de 2016, argumentando que deveria haver recontagens em três estados – Wisconsin, Michigan e Pensilvânia – para garantir que as eleições não tinham sido “hackeadas”. Mesmo depois do inquietante artigo publicado na New York Magazine, Halderman nunca disse que havia evidências concretas de que os resultados das eleições tinham sido de fato manipulados eletronicamente. Apenas declarou que deveriam ser verificados para se ter certeza:

A única forma de saber se um ciberataque mudou o resultado é examinar de perto as evidências fisicamente disponíveis – cédulas de papel e equipamentos de votação em estados críticos como Wisconsin, Michigan e Pensilvânia.

A preocupação com uma “eleição hackeada” não é infundada. Em 2014, o coletivo de hackers pró-Rússia CyberBerkut tentou sabotar a infraestrutura ucraniana de contagem de votos pouco antes de uma eleição presidencial. Este é apenas um exemplo. Com estas ameaças, a auditoria de eleições deve ser vista como higiene básica. Como dito pelo especialista em segurança computacional Poorvi Vora, da Universidade George Washington, “escove os dentes, coma espinafre e audite eleições.” Halderman pede especificamente em seu texto que se façam auditorias voltadas à limitação de riscos, isto é, que envolvam a seleção aleatória de um certo número de cédulas de papel para recontagem manual. Isto é algo que se deve fazer depois de cada eleição. Trata-se de uma obviedade.

No entanto, alguém discorda de Halderman. Em 7 de fevereiro, cerca de dois meses e meio depois da publicação do texto de Halderman, alguém que fingia ser o professor enviou e-mails racistas e antissemitas a estudantes de engenharia da Universidade de Michigan. De acordo com a Associated Press, os e-mails tinham assuntos como “Diversidade de Estudantes Afro-Americanos” e “Diversidade de Estudantes Judeus” e dois dos e-mails continham a frase “Heil Trump.”

Este tipo de campanha de difamação é pouco sofisticado e fácil de reverter. Neste caso, o infrator não invadiu o e-mail de Halderman. Ele simplesmente criou um cabeçalho de e-mail falso, o que fez as mensagens parecerem escritas por Halderman. Esta é uma tática comum em tentativas de phishing, porque pode enganar usuários e levar ao envio de informações sensíveis ou a cliques em links maliciosos. Leia-se: isto pode acontecer com qualquer um.

Felizmente, a fraude neste caso foi revelada rapidamente e há motivos para crer que poucos dos muitos destinatários alunos da universidade, em que Halderman é bem conhecido e querido – acreditaram. Mesmo assim, houve um protesto com 40 alunos em frente à casa do reitor da universidade.

Halderman chamou esta tentativa de manchar seu nome de “ato covarde”. A ameaça de se tornar alvo de uma campanha de difamação pode desestimular outras pessoas a falarem sobre a necessidade de garantir a integridade dos sistemas eleitorais – um tema cada vez mais relevante. Tais esforços para desincentivar a livre expressão ameaçam a própria natureza da internet como a conhecemos um lugar para o discurso aberto, robusto e diversificado.

A Universidade de Michigan deve tomar uma posição firme contra este tipo de retaliação visando um integrante de sua comunidade. Halderman deve ser apoiado, não só por seus esforços para levar adiante a discussão sobre a integridade das eleições, mas também em favor da certeza de que estas tentativas desonestas, covardes e ridículas de difamação não se tornarão um método intensamente usado para desestimular a livre expressão.

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