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Estudantes e professores da Unicamp lançam programa para difundir criptografia e riscos da vigilância em massa

Grupo Snowden de Estudos Criptográficos reúne mais de 150 pessoas em torno de pesquisas, encontros e financiamentos em defesa da internet livre

Para a surpresa do engenheiro da computação Helder Ribeiro, pessoas com as mais diversas formações e interesses atenderam ao seu convite. Na tarde de sábado, 23 de março, desenvolvedores, jornalistas, designers, cientistas sociais, estudantes de medicina, física e matemática lotaram uma sala cedida pela Instituto de Computação da Unicamp para a realização do primeiro encontro do GSEC – Grupo Snowden de Estudos Criptográficos.

“Achei que, presencialmente, num sábado à tarde com jeito de chuva, ia aparecer no máximo uma meia dúzia de pessoas. Jamais esperava que fôssemos lotar uma sala para mais de 50 pessoas”, comenta. Ribeiro é ativista pela liberdade da internet e trabalha com desenvolvimento de software livre e de start ups baseadas na colaboração.

O alto quórum do encontro, segundo o seu organizador, se deve ao impacto que as revelações do ex-agente da CIA, Edward Snowden, provocou ao expor a vulnerabilidade dos indivíduos conectados à rede mundial de computadores. Não à toa, a expressividade de Snowden foi utilizada para nominar o grupo.

“Não existe a separação que imaginávamos entre Estado e empresas privadas quando se trata das nossas informações pessoais. Quando cedemos voluntariamente nossas informações ao Google, ao Facebook e a tantos outros serviços online, pensávamos que o pior que poderia nos acontecer seria receber mais propaganda, certo?”. Errado. O GSEC surge justamente a partir da constatação de que o que está em jogo vai muito além de propagandas indesejadas. As denúncias de Snowden revelam que ações de vigilância em massa coordenadas por agências de espionagem ligadas aos governos de diversos países são uma nova forma de poder e controle.

“O GSEC é um grupo acadêmico voltado à pesquisa, desenvolvimento e divulgação de projetos por uma internet livre, decentralizada, segura e privada”, conta Ribeiro. O grupo é formado em sua maioria por alunos e pesquisadores da Unicamp, mas tem atraído a participação de pessoas de diferentes regiões e de interesses distintos.

O primeiro encontro, o de março, resultou numa série de ações como a organização de um blog (http://www.gsec.io), de uma newsletter construída colaborativamente com a curadoria de informações sobre criptografia e privacidade (http://www.reddit.com/r/gsec ) e a criação de um fundo para incentivar desenvolvedores brasileiros a se dedicarem a projetos de defesa da privacidade.

O grupo sugere que pessoas não especialistas interessadas em integrar às discussões comecem fazendo o curso gratuito de criptografia disponível no Coursera (https://www.coursera.org/course/crypto.

Ribeiro estará presente na CryptoRave para difundir a iniciativa. Quem quiser mais detalhes, veja a entrevista completa concedida por e-mail a Actantes, na qual o ativista conta os objetivos do GSEC e detalha outros importantes elementos do contexto atual que reforçam a necessidade de maior investimento em programas de proteção à privacidade. Ele fala sobre a importância do projeto TOR, conta sobre a Lei de Moore e revela porquê é mais fácil armazenar dados do que protegê-los.

 

Mais informações: http://www.gsec.io

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