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CRYPTORAVE 2015: OS LEGADOS E OS ALERTAS

Todos somos vigiados — e todos devemos resistir contra a vigilância. Com esse objetivo, cerca de duas mil pessoas participaram das atividades da CryptoRave 2015, realizada nos dias 24 e 25 de abril no Centro Cultural São Paulo para discutir e compartilhar conhecimentos sobre o uso da criptografia. Para se proteger contra a vigilância em massa, realizada por grandes corporações e Estados, e defender nosso direito à privacidade.

Posters  da CRYPTORAVE 2015
Posters da CRYPTORAVE 2015

A CryptoRave é um evento aberto e livre sobre segurança, criptografia, hacking, anonimato, privacidade e liberdade na Internet. Idealizada e produzida pelos coletivos Actantes, Escola de Ativismo e Saravá, essa segunda edição contou com o financiamento coletivo de centenas de pessoas e o trabalho voluntário de dezenas de outras para se realizar. Após meses de um minucioso processo de organização coletiva para viabilizar as atividades, pelo segundo ano consecutivo, um piso inteiro do Centro Cultural São Paulo recebia uma enorme quantidade de hackers, tecnólogos, jornalistas, ativistas, simpatizantes e curiosos num dos maiores eventos de troca de conhecimento do mundo.

A maratona de 24 horas pela privacidade e liberdade na rede começou às 19 horas do dia 24. A partir daí foram dezenas de palestras, oficinas e desconferências ocorrendo simultaneamente em 6 espaços diferentes, batizados com os nomes de algumas das mais importantes figuras do universo da computação e da criptografia como o ativista Aaron Swartz e Ada Lovelace, criadora do primeiro algorítimo a ser interpretado por uma máquina. Em um dos espaços, paralelo às demais atividades, acontecia o Install Fest – literalmente um festival de instalação de Sistema Operacional livre e programas de comunicação segura – onde qualquer pessoa poderia trazer a sua máquina e contar com a ajuda de oficineiros voluntários para acessar um conjunto de ferramentas que os ajudaria a partir daí a reduzir a vulnerabilidade de suas comunicações e poder exercer o seu direito fundamental de escolher, em suas vidas pessoais, quais as informações podem ser públicas e quais devem permanecer particulares.

Nos demais espaços, convidados internacionais dividiam as atenções com figuras locais compartilhando os seus estudos, observações e preocupações sobre as ingerências dos Estados e das corporações, bem como o futuro e as consequências do processo contínuo de supressão do direito fundamental à privacidade. Ainda na sexta-feira, as participações de Katitza Rodriguez, diretora da Electronic Frontier Foundation (EFF), e de Andre Meister, jornalista do Netzpolitik e ativista por direitos digitais, foram fundamentais para que o grande público pudesse entender o panorama global da guerra silenciosa travada pela liberdade na internet e como os rumos dessa guerra influenciam na vida cotidiana de cada um.

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As atividades do sábado começaram com Peter Sunde, um dos fundadores do Pirate Bay, falando de como algumas atividades cotidianas que já naturalizamos tem um forte viés político e como uma série de decisões governamentais fundamentadas em generalizações de conceitos controversos como a de “crimes digitais” podem muito bem ser apenas desculpas esfarrapadas para driblar direitos essenciais e controlar a liberdade de expressão. Também participaram dos panoramas o professor, sociólogo e ativista Sérgio Amadeu da Silveira; o fundador e presidente da ThoughtWorks, Roy Singham; Veridiana Alimonti, do Intervozes e o co-desenvolvedor do RiseUp, do projeto LEAP e do Debian, Micah Anderson.

Nessa segunda edição da CriptoRave aconteceu também a estreia de um dos mais populares e disputados espaços do evento – o Espaço Ada – criado para uma série de atividades realizadas por e para as mulheres. Nele, ativistas, especialistas e criptografas compartilharam suas impressões, estudos e ferramentas sobre aplicação de direitos fundamentais na internet, reconhecimento de ameaças físicas e digitais, instrumentos de defesa e contra-ataque. Um capítulo a parte foi a RAVE com Vjs e Djs voluntários – além de alguns dos oficineiros e palestrantes que também dominam a arte das pick-ups – trazendo o ritmo das oficinas para a área aberta dos jardins suspensos do Centro Cultural transformada em uma pista de dança até a hora do café da manhã ser servido.

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As centenas de pessoas que circularam pela segunda edição da CryptoRave e tiveram a oportunidade de discutir o futuro da privacidade e da liberdade de expressão, certamente saíram do Centro Cultural São Paulo com pelo menos uma preocupação e um conforto. Se por um lado as investidas contra os direitos fundamentais de cada cidadão do planeta que navega na rede mundial de computadores persistem com a mesma agressividade e com um poder de devastação cada vez mais intenso, por outro, fica a certeza de que cada vez mais existem mais pessoas discutindo à respeito do assunto, que as ferramentas de defesa da privacidade e da liberdade de expressão também evoluem e que existem pessoas e iniciativas ao redor do mundo lutando para que elas se tornem cada vez mais acessíveis.

Nos vemos no ano que vem, na CryptoRave 2016.

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