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Por uma militância algorítmica

Por Antonio Arles

Há razão política no modelo, na concepção e na manutenção dos algoritmos. Eles não são neutros! Um forte exemplo é o Facebook. Se por um lado seus algoritmos foram concebidos para valorizar um tipo de discurso e uma postura diante do mundo, por outro são ajustados conforme o investimento que se faz na rede, traço marcante, previsto em sua concepção.

O Facebook congrega grande parte dos cidadãos conectados e desempenha papel importante neste processo em curso no mundo que vivifica a rejeição ao diálogo com o diferente. Esta recusa a ponderar pontos de vista diversos e estes reforço de ideias preconcebidas são ambos modulados por modelos matemáticos. A concepção e o aperfeiçoamento dos algoritmos da rede social capitaneada por Mark Elliot Zuckerberg foram determinantes para esta formatação do discurso coletivo. Os algoritmos desta ferramenta priorizam o isolamento, reforçam ideias e promovem um certo conforto frente aos próprios ideais.

Cada vez mais centrados na geração de lucro e sensíveis aos investimentos na corporação, os algoritmos do Facebook reforçam poderes econômicos.

Dois problemas se entrelaçam a partir daí. O primeiro é o reforço da formação de discursos cada vez mais polarizados e fechados ao diálogo, fazendo com que grupos aderentes a este ou aquele discurso vejam outros como potenciais inimigos e, assim, passíveis de eliminação. O segundo problema é exatamente o reforço do poder econômico enquanto promotor de consensos. Já que o número de usuários atingidos está diretamente vinculado ao valor que se aplica, o discurso pretendido por quem detém capacidade de investimento maior é aquele mais ouvido. Ou seja, a formação de discursos altamente rígidos podem ser e são modulados pelo poder econômico.

Com um olhar crítico diante da constatação de que algoritmos são politicamente concebidos e orientados, podemos modelar saídas. Uma destas saídas seria a construção de outros e novos modelos, que priorizem o diálogo e não se fundamentem em determinações originadas de poderes que se pretendem hegemônicos.

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