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Em uma semana, o debate sobre o perdão a Snowden continua crescendo

Por Noa Yachot para American Civil Liberties Union

A última semana tem sido muito movimentada desde que foi lançada a campanha Perdoe Snowden [Pardon Snowden, em inglês].

Desde então, as pessoas em todo o mundo voltaram suas atenções novamente para o mais famoso denunciante da nossa geração. Dezenas de reportagens e artigos de opinião têm considerado seu papel em expôr os contornos da vigilância em massa nos EUA e espectadores têm assistido Joseph Gordon-Levitt interpretar Snowden no filme de Oliver Stone baseado em sua vida.

A American Civil Liberties Union, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch lançaram a campanha Perdoe Snowden em uma coletiva de imprensa na quarta-feira passada (21), com o próprio denunciante presente por videoconferência. “Nunca em meus sonhos mais selvagens eu teria imaginado, há três anos, uma onda de solidariedade como esta”, disse ele em profusos agradecimentos a seus apoiadores.

O lançamento da campanha provocou uma avalanche de comentários, muitos dos quais se juntando ao pedido de perdão ou solicitando leniência à luz das contribuições de Snowden. Páginas de opinião de quase todos os principais jornais norte-americanos entraram no jogo, com contribuições pró-perdão no New York Times, na Time, no Los Angeles Times e no USA Today (duas vezes) e em muitos outros.

Enquanto isso, em uma ação cínica destinada a envenenar uma discussão honesta sobre o caso Snowden, o Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes – talvez temendo a onda de apoio ao denunciante que está sendo construída – enviou a Obama uma carta em que argumenta contra o perdão. O relatório divulgado com a carta, um resumo operacional de três páginas de um relatório confidencial, está repleto de falsidades grosseiras sobre os históricos médico, acadêmico e profissional de Snowden – mentiras facilmente refutadas. A disseminação de tais distorções visíveis por membros do Congresso dos EUA sugere um desrespeito irritante pela verdade e pela população que pretendem representar.

O relatório foi rapidamente contra-atacado por Barton Gellman, o veterano jornalista que comandou o trabalho do Washington Post sobre as divulgações de Snowden. Sua resposta foi uma gratificante leitura para muitos apoiadores do denunciante, mas também uma triste confirmação das falhas profundamente enraizadas nas instituições encarregadas de supervisionar as agências norte-americanas de inteligência.

Antes mesmo do último fim de semana, o Washington Post publicou um editorial contra o perdão. O Post, como se sabe, recebeu os documentos de Snowden por meio de Gellman e o jornal ganhou o Prêmio Pulitzer de serviço público por suas reportagens sobre as divulgações. A ironia do conselho editorial ao amarrar sua fonte nos trilhos depois de tanto se beneficiar dela não passou desapercebida. Glenn Greenwald rapidamente publicou uma resposta incisiva em The Intercept e o próprio Washington Post seguiu com dois poderosos artigos de opinião em favor do perdão – um pela colunista de mídia e ex-ombudswoman do New York Times Margaret Sullivan e outro por Katrina vanden Heuvel, sócia e editora da revista The Nation. Nas palavras de Sullivan:

Snowden agiu com cuidado, responsabilidade e coragem – e diretamente a serviço do interesse público. O editor executivo do Post, Martin Baron, escreveu isto em 2014 sobre as revelações, cuja publicação no Post defendeu: “Na construção de um sistema de vigilância intrusivo e abragente demais, nosso governo também prejudicou fortemente a privacidade dos indivíduos. Tudo isso foi feito em segredo, sem debate público e com claras fraquezas em termos de supervisão.

Alguns dias depois, o burburinho sobre o editorial não sinais de que desaparecerá.

Em outros lugares, as discussões em torno de outros aspectos das divulgações de Snowden estão em pleno andamento – muitas delas positivas, ainda que algumas tenham reiterado equívocos contestados sobre o que ele revelou (nada em causa própria) e se ele podia ter promovido mudanças usando canais internos (não, não podia). Trevor Timm responde a alguns destes equívocos mais populares sobre Snowden. Conversas mais úteis têm sido observadas também – como, por exemplo, aqueles que defendem o ponto de que pessoas fora dos EUA também têm direitos. ( fortes argumentos como os de Tim Edgar, ex-funcionário da Casa Branca no governo Obama, e de Joshua Franco, colaborador da Anistia Internacional.)

Tudo isto em pouco mais de uma semana.

Mas não podemos nos esquecer do que se trata esta campanha. Obama tem 118 dias para trazer de volta o denunciante cujas ações desencaderam todo este debate – sobre os limites democráticos da vigilância em massa, o papel da imprensa e nossos direitos mais fundamentais. Vamos fazer isso acontecer.

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