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CryptoParties, uma iniciativa poderosa.

Durante a 12ª Oficina de Inclusão Digital que aconteceu entre 11 e 13 de dezembro no Hotel Nacional em Brasília, foram discutidos paradigmas e soluções para que o Brasil faça parte, de fato do processo de inclusão digital global.
Em diversas opiniões que foram levantadas durante as diferentes mesas e oficinas que aconteceram no evento, ficou claro que a inclusão digital não se  trata apenas de oferecer mais acessos de conexão ou facilitar aquisição de hardware, mas oferecer conhecimento e recursos para que qualquer usuário possa desfrutar de todas as possibilidades que a internet proporciona.
Reduzir a mais poderosa e estruturada ferramenta de criação e transmissão de conhecimento que já existiu a apenas mais um modelo de negócio – como fazem as corporações de telecomunicação e empresas que desenvolvem software proprietário – é limitar o nosso próprio avanço como espécie.
Além disso, muitas entidades governamentais e corporativas ao redor do mundo, insistem em estender suas ferramentas de controle e vigilância em nome de estruturas sociais antigas – tudo para manter o “estado das coisas” e conservar privilégios baseados em conceitos e anseios que nunca couberam na imagem que todos nós criamos para futuro. Nesse mundo não cabem o colonialismo, países subdesenvolvidos e controle pelo medo. A internet não pode ser uma mera extensão do mundo físico trafegando em forma de códigos binários pelos satélites e cabos de fibra óptica, é muito pouco para um poder que pode interferir no mundo físico e até mesmo reinventa-lo.
Com essa reflexão em mente, passemos a propor soluções que constituam formas de difundir o conhecimento e que ajudem a equiparar as relações sociais, econômicas e de poder que existem no mundo físico ao invés de simplesmente reproduzir nas redes o vício de provocar artificialmente novas necessidades consumo apenas para criar “segmentos de mercado” para “produtos”. Passemos a investir em iniciativas concretas para transferir à todas as pessoas o poder para se defender dos seguidos ataques às nossas liberdades, promovidos por gigantes corporativos e por governos autoritários – ambos respaldados por legislações criadas pela força do interesse de alguns poucos.
Uma CryptoParty é um espaço onde pessoas com pouco ou nenhum conhecimento sobre as redes têm a chance de encontrar indivíduos e ferramentas que as ajudem a entender o funcionamento da internet, reconhecer ameaças, desmistificar superstições sobre software livre, aprender mecanismos para defender a sua privacidade e garantir acesso às possibilidades infinitas de conhecimento que a internet proporciona.
Uma CryptoParty não tem um “dono” e nem precisa ser um evento grandioso feita em espaços imponentes. Basta ser um lugar onde se encontrem tanto o conhecimento quanto a vontade de conhecer.
E foi com esse pensamento que fomos à 12ª Oficina de Inclusão Digital, para que junto à outras iniciativas propostas durante o evento, a ideia das CryptoParties pudesse ser levantada como parte de uma solução de inclusão digital concreta e irrestrita, ao alcance de cada pessoa que se conecte à rede, para que de fato possamos estar mais próximos do futuro ideal que imaginamos para cada um de nós.
Espalhe essa ideia.
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