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Vigilantismo global, teatro do terror e a indústria da segurança

Pedro Resende contextualiza recentes episódios políticos à luz da ciberguerra e de uma nova etapa do capitalismo global na qual a privacidade ser torna mercadoria.

 

As revelações do ex-agente da CIA, Edward Snowden, denunciam um plano ofensivo de guerra cibernética posto em marcha para implantar um regime dominante de vigilantismo global. Esta é a tese que o matemático e professor Pedro Rezende, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) vem defendendo em suas exposições públicas.

No segundo dia da Cryptorave, Resende fará a palestra sobre episódios da geopolítica atual que assumem características de uma conspiração global cujo foco é a valorização da privacidade. Segundo o professor, isso ocorre porque a privacidade passou a ser uma das mercadorias mais valiosas da atual fase do capitalismo.

Em sua palestra, ele procura evidenciar os interesses das grandes corporações de mídia, das indústrias de informática e de governos para criar um clima global de terror e desta forma criar nos cidadãos uma necessidade de “proteção”. Esse procedimento constituiria, na análise de Resende, um mercado emergente para uma indústria da criptografia.

“ A ciberguerra é um fenômeno natural da última etapa do capitalismo. Uma contra revolução digital. E a privacidade é sua última mercadoria”, afirma Rezende.

O professor vai além e provoca: “o fim da privacidade na era digital é um perigo real? ”. Para responder a esta pergunta, ele arrola uma série de fatos que compõem o cenário da “arquitetura da opressão”. Ele também critica as ações em massa em busca do armazenamento de dados “biométricos” (gravação de digitais, medição do formato da iris, entre outros) – cada vez mais difundidos como forma de identificar os indivíduos.

Resende irá alertar, em sua fala, para o risco destas situações forçarem governos a defenderem normatizações radicais, como acordos comerciais internacionais (o que já ocorreu com o ACTA, por exemplo) ou leis anti-terrorismo ou anti-pirataria. A necessidade de proteção, para o professor, passa a preceder a defesa das liberdades.

Será que estamos nos aproximando de uma situação imaginada por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo? Uma situação em que “um Estado totalitário realmente eficiente seria um no qual os todo-poderosos mandantes da política e seus exércitos de executivos controlam uma população de escravizados que não precisam ser coagidos, porque eles adoram a sua servidão”?

Para tirar suas próprias conclusões, não perca a palestra.

Serviço:

O que: palestra “Segurança, vigilantismo e soberania: o caso da Ucrânia”, Pedro Rezende, Matemático e Professor no Departamento de Ciência da Computação da UnB, onde atualmente leciona e é Coordenador do Programa de Extensão em Criptografia e Segurança Computacional. Publicou no Brasil artigos e ensaios sobre a revolução digital, software livre, criptografia, segurança na informática.

Quando: 12 de abril de 2014, domingo

Onde: CryptoRave, no Centro Cultural São Paulo.

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